Entrevistado do mes
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Renato Michalischen e Marina Andreoli -
O que é o sticker para vocês? Porque vocês fazem sticker?

Renato - O projeto foi idealizado com o intuito de desviar o olhar das pessoas de seu trajeto diário. Achamos que este é o papel que o sticker tem dentro da intervenção. Nós temos vários stickers, todos com uma personagem em comum, a boneca. Ela é a personagem que tenta trazer às pessoas a vontade de saber qual a próxima situação em que ela estará imersa, hora ela é uma diabinha, hora uma anjinha, hora uma aviadora, outra uma mexicana, e por ai vai.
Marina – Gosto desse tipo de intervenção, por não simplesmente ser uma tag que você deixa na rua. É uma coisa mais elaborada, não desmerecendo as tags, pichações graffitis e afins, mas o sticker, o nosso projeto que tem como personagem principal uma bonequinha, nos limita um pouco na hora de criar, por exemplo: ela não tem rosto, e assim ela não tem expressão fazendo com que seja mais ‘difícil’ criar situações pra ela que consiga transmitir exatamente o que pensamos. Gosto muito dessa limitação, faz com que a gente tenha uma identidade seguindo um padrão.

Desde quando você faz sticker? Porque você começou?

Marina - Começamos a colar em junho deste ano (2008).
Renato - A idéia partiu de mim que sempre tive vontade de colar, mas nunca tive um propósito para criar um, e como na minha pesquisa de TCC acabamos escolhendo os stickers como objeto de estudo, achei que era a hora para criar um. E junto com a Marina começamos com o projeto The Urban Doll.
Marina - Eu não conhecia os stickers. Eu já tinha visto mas não sabia o que era. E com o Renato focando o TCC dele em stickers acabei aprendendo e tomando gosto por essa arte.

Porque o nome The Urban Doll?

Renato - O nome é auto-explicativo, pensamos que tinha de ser algo obvio para ser lembrado facilmente. Como em português ficava estranho “Boneca Urbana”, então colocamos em inglês mesmo.

Vocês mudaram seu ponto de vista sobre stickers desde que você começaram a colar?

Renato - Apesar do pouco tempo que estamos nas ruas, acreditamos que o projeto foi amadurecendo com o passar dos meses (e ainda está amadurecendo). Por exemplo, bem no começo nós não tínhamos muito pudor de onde colar nossos adesivos, hoje já procuramos não intervir em cima de sinalizações.
Marina – Tem muita gente que entra nesse meio, por vandalismo mesmo, que não é o nosso caso. A gente procura expor nosso trabalho da melhor forma possível. Como o Renato disse, sem colar em cima das sinalizações, por exemplo. Porque hoje você vai e cola um que não atrapalha, mas amanhã essa mesma placa ta lotada de stickers. Não é pra isso que sua arte ta na rua. É muito mais que simplesmente você atrapalhar uma sinalização para ser visto.

Quanto a técnica de produção e material, são os mesmos desde o começo?

Renato – Não. Nós começamos fazendo em cima de adesivos de lojas, políticos, etc. Pintávamos os adesivos com spray e com marcador desenhávamos a boneca. Fizemos assim por menos de um mês. Logo partimos para o silk. Telas, tintas, adesivos e sempre com novas idéias.
Marina – Sempre comparo nosso primeiro silk com o último. Há uma evolução enorme. A única coisa que a gente ainda não conseguiu arrumar uma técnica 100% é na hora de cortar. Isso sim dá trabalho. Eu e o Renato somos exigentes quanto a isso, chega até a ser chato. Mas é o nosso trabalho que ta na rua, tem que ser bem feito.

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